Portal de Conferências da UnB, 17º CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNB E 8º DO DF

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Mudanças na estrutura familiar: uma análise comparativa feita a partir do modelo nuclear de familia
Helena Patini Lancellotti

Última alteração: 2020-12-24

Resumo


Orientador (a): ANDRÉA DE SOUZA LOBO

Introdução: A temática das relações de parentesco sempre foi de grande interesse para a Antropologia. Desde os clássicos este campo tem grande relevância para os estudos desta disciplina, pois entender os laços familiares e de pertencimento nas sociedades estudadas poderia contribuir para entender grande parte da dinâmica social da mesma. Mesmo na contemporaneidade, esta temática, embora com diferentes direcionamentos com relação aos clássicos, ainda é de extrema importância para os estudos antropológicos e é nessa lógica do parentesco e na tentativa de descobrir as relações de afeto, de parentesco e de pertencimento que o presente estudo se enquadra. Esta pesquisa sobre famílias monoparentais visa justamente ampliar o leque de estudos das relações familiares, na tentativa de demonstrar que existem diversos tipos de configurações familiares e não apenas um modelo hegemônico considerado como ideal. Metodologia: São diversas as metodologias utilizadas pra a realização de um estudo, cabe o pesquisador e a configuração de seu campo definir qual o melhor recorte metodológico que poderá ser utilizado em sua pesquisa. A etnografia tem um valor central na Antropologia, é através dela que o antropólogo poderá apreender melhor a sociedade ou os tipos sociais que deseja estudar, etnografar é fazer o exercício de uma imersão em campo na tentativa de entender a forma pela qual os seus sujeitos de pesquisa desenvolvem suas relações. O recorte temático do projeto consistiu em estudar famílias monoparentais, especificamente, famílias chefiadas por mulheres e que habitassem cidades administrativas do Distrito Federal. Através de entrevistas qualitativas com um roteiro semi estruturado e de diálogos mais informais realizados com quatro mulheres chefes de família consegui obter os dados para a realização da minha proposta de trabalho. Resultados: Os resultados encontrados em campo foram os de que em todas as famílias monoparentais que tive acesso, as mães assumem, além da função materna, a paterna, tornando-se mães, pais e também provedoras do lar, tendo assim, uma tripla jornada de papéis sociais. Também foi possível perceber que o modelo de família nuclear afeta muito mais o cotidiano dessas mulheres que chefiam o lar do que as suas próprias subjetividades e valores morais. As dificuldades consistem muito mais em como lidar com as atividades rotineiras, como educar as crianças ou pagar as contas, do que em questões relacionadas a estigmas sociais por não estarem dentro de um padrão. Foi possível, através desta pesquisa, demonstrar que existem diversos tipos de configurações familiares que também possuem uma lógica e que, principalmente, funcionam.

Colaboradores: Juliana Varella, Barbara Souza.


Palavras-chave


Novas configurações familiares, Família monoparental, Parentesco, Chefia feminina, Parentesco Social, Relatedness, Relações familiares.