Portal de Conferências da UnB, IX Mostra de Estágios da Faculdade de Ciências da Saúde

Tamanho da fonte: 
Alimentação escolar e os desafios de sua prática
Victor Madela, Mateus Santana Simão

Última alteração: 2019-06-13

Resumo


Victor Madela, Aluno da Graduação em Nutrição da Universidade de Brasília, Brasília – DF,

victormadela@gmail.com

Mateus Simão, Aluno da Graduação em Nutrição da Universidade de Brasília, Brasília – DF,

mateusimao@hotmail.com; mateusimao1990@gmail.com

Fernanda Monteiro Cherulli - Preceptora de estágio na Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante - DF

Liliane Duarte - Preceptora de estágio na Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante - DF

Viviane Belini, Orientadora de Estágio na Universidade de Brasília, Brasília - DF, vivianebelini@gmail.com


A nutrição é uma área da saúde muito vasta, que abrange a nutrição social. Esta área visa contribuir de alguma forma com a sociedade, seja por políticas públicas, projetos sociais, ou pelo próprio serviço público, atuando em instituições primárias de acesso à saúde para promover a saúde da população. Diante disso, a Nutrição Social tem como função o planejamento, o monitoramento,  a avaliação e a proposição de estratégias de implementação de ações de alimentação e nutrição em políticas públicas, programas e serviços como os de saúde, educação e assistência social, além de ações de proposição, implementação e validação de estratégias e instrumentos de promoção da saúde e educação nutricional para diferentes grupos populacionais.

O local de estágio designado foi a Secretaria de Educação do Distrito Federal, mais especificamente uma Regional de Ensino. Essa regional possui uma área específica designada para cuidar da alimentação escolar. Para realização do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que mesmo sendo um dos programas mais antigos (1955), o nutricionista só foi inserido legalmente como responsável técnico a partir do ano de 2005, e em 2011, 20% dos municípios ainda trabalhavam com a ausência do mesmo.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é uma das políticas públicas mais antigas do Brasil e é também um dos maiores programas de alimentação escolar do mundo. Desde sua criação, o PNAE passou por várias mudanças que levaram a avanços, sendo um dos mais importantes o apoio ao desenvolvimento local sustentável, incentivando a aquisição de gêneros alimentícios diversificados produzidos em âmbito local. No ano de 2009, a Lei 11.947, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e consolida a vinculação da agricultura com o PNAE, foi aprovada ao estipular que minimamente 30% do total de recursos financeiros repassados pelo Governo Federal aos estados e municípios deverão ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações priorizando, dessa forma, as comunidades tradicionais indígenas e as comunidades quilombolas e os assentamentos da reforma agrária.

Durante o período de estágio foram visitadas as 32 escolas que a regional é responsável, sendo acompanhado na prática a realização do programa de alimentação escolar. Foram verificadas as áreas de produção das escolas com relação à sua conformidade com a legislação sanitária, além do acompanhamento da produção, estocagem e também realização dos pedidos de compras, além disso dentro das escolas há alunos que necessitam de alimentações especiais, como celíacos, intolerantes a lactose entre outros, e esses cardápios também foram adaptados.

No geral foi visualizado todo o processo de planejamento, organização, e realização do programa diretamente nas escolas, em contraposição foi percebido que nas escolas havia uma baixa aceitação da alimentação ofertada, não só pelas características sensoriais das preparações, mas sim pela troca por lanches e produtos ultraprocessados que os responsáveis pelos alunos colocavam nas lancheiras. Um fato notado é de que os alunos muitas vezes possuíam preconceito com a alimentação ofertada, e isso vinha muitas vezes de sua própria casa, com a desinformação dos pais e responsáveis sobre a qualidade da comida servida aos alunos.

Ainda no âmbito das escolas, foram realizados três trabalhos de educação nutricional em duas escolas e um outro na própria regional. O trabalho realizado na regional foi direcionado aos servidores dos outros setores, e consistia em um mural (apêndice 1) explicativo sobre a alimentação escolar no geral, mostrando características pouco conhecidas do PNAE e também sobre o histórico dos nutricionistas nessa área. Já o primeiro projeto com as crianças era relacionado ao consumo da alimentação escolar, mas também englobou hábitos alimentares saudáveis e processamento de alimentos. Foi estruturado em forma de uma palestra para as turmas, explicando sobre o processamento dos alimentos de acordo com os grupos do guia alimentar.

Foi feita a elaboração de um panfleto (apêndice 2) direcionado aos pais, abordando a importância do consumo da merenda escolar e esclarecendo alguns pontos que são presentes quando o assunto “merenda escolar” é colocado em pauta como, por exemplo, a qualidade dos alimentos que são preparados e servidos às crianças.  Desmistificando o preconceito que os responsáveis pelos alunos poderiam ter sobre os alimentos que são servidos na escola, e mostrando a importância dos alunos se alimentarem da alimentação escolar ao invés dos lanches ultraprocessados trazidos de casa.