Portal de Conferências da UnB, IX Mostra de Estágios da Faculdade de Ciências da Saúde

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AÇÃO EDUCATIVA EM SAÚDE COM ADOLESCENTES NA ATENÇÃO BÁSICA DO DISTRITO FEDERAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Talita Teixeira da Silva, Gabriella De Araújo Amaral, Braulio Vieira de Sousa Borges, Aline Lima Xavier, Alyne Moreira Coelho Milhomem, Fernanda Souza Silva e Garcia

Última alteração: 2019-06-12

Resumo


INTRODUÇÃO: O período da adolescência é um estágio da vida marcado pela puberdade, um período de transição entre a infância e a vida adulta, quando ocorre a maturação sexual/biológica do ser humano e diversas mudanças não apenas fisiológicas, mas também psicossociais, emocionais, cognitivas e comportamentais (BRASIL, 2017). O desenvolvimento da personalidade, a busca por autonomia e independência e o início da vida sexual são alguns aspectos importantes e que merecem atenção especial quando se trata da criação de políticas públicas direcionadas à faixa etária. A população de adolescentes no Brasil corresponde a pouco mais de 34 milhões de adolescentes, representando cerca de 18% da população total do país (BRASIL, 2017). A falta de acesso à esses direitos afeta o jovens brasileiros em diferentes níveis, e esse relato de experiência foca no acesso à saúde, em particular na educação em saúde sobre temas relevantes para essa população no Brasil. Nesse sentido, é preciso entender os diferentes grupos que compõem os usuários do Serviço Único de Saúde (SUS), suas potencialidades e susceptibilidades, a fim de, planejar estratégias e intervenções efetivas para suprir as necessidades de cada grupo populacional e garantir o acesso à atenção básica de qualidade, com ampla cobertura.

OBJETIVO: Planejar e implementar ações de educação em saúde com um grupo de adolescentes.

METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência das atividades da disciplina “Estágio Supervisionado 1” do 9º semestre do curso de enfermagem da Universidade de Brasília - UnB, campus Darcy Ribeiro. Os problemas observados com mais ênfase durante o semestre letivo foram prevenção de doenças e agravos resultantes do uso abusivo de álcool e de outras drogas e dos problemas resultantes da violência, a prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)/Aids e saúde sexual e reprodutiva. Foram elaboradas oficinas a serem realizadas ao longo de cinco encontros com fins de educação em saúde focando nos temas mais relevantes para essa população.

RESULTADOS: Após serem definidos os problemas mais relevantes, foram criadas as ações educativas a serem implementadas ao longo de cinco semanas. No primeiro encontro foram abordados os temas de mudanças biológicas durante a puberdade e os conhecimentos sobre sexo e sexualidade, trabalhando assim com os adolescentes tais conceitos, explicando claramente a importância de saber aspectos fisiológicos, biológicos, psicológicos e sociais da realidade de um adolescente. O tema do segundo encontro foi Infecções Sexualmente Transmissíveis e HIV/AIDS. A atividade iniciou-se com os adolescentes compartilhando conhecimentos que já tinham e a partir disso, iniciou-se uma conversa em que os enfermeiros e discentes puderam expôr informações pertinentes sobre ISTs e HIV/AIDS, como modos de transmissão, sinais e sintomas, possíveis tratamentos e formas de prevenção. Ao fim dos encontros, foi pedido que os participantes compartilhassem o que acharam das atividades e observou-se um feedback positivo dos grupos. Em ambas as oficinas, em diversos momentos os adolescentes puderam fazer perguntas e compartilhar suas experiências, o que se mostrou muito importante para o sucesso da atividade. A construção coletiva de conhecimento se mostrou um método efetivo para alcançar os objetivos do projeto.

CONCLUSÃO: A realização das atividades em um formato de roda de conversa em que os participantes foram encorajados a compartilhar suas experiências foi valiosa para todos os envolvidos, pois permitiu uma troca de conhecimentos e fortalecimento do vínculo entre a atenção básica e a população de atende. Essa prática com adolescentes contribuiu para a formação das discentes em Estágio Supervisionado I por ser um momento que reafirma a educação em saúde como um dos fatores determinantes de promoção de saúde integral e de qualidade para uma comunidade, que vai além de consultas e prescrições.

O maior desafio ao implementar a intervenção foi alcançar um número maior de adolescentes. Por meio dessa experiência foi possível compreender que outras estratégias precisam ser usadas para encorajar os adolescentes convidados de realmente participarem de ações educativas como essa, que podem ser extremamente benéficas para essa população. Apesar da divulgação em redes sociais e do contato por telefone de adolescentes que compareceram à Unidade Básica de Saúde em algum momento, o número de participantes foi abaixo do esperado. Talvez a articulação com outras redes, como escolas e centros de convivência, onde grupos de adolescentes são alcançados mais facilmente seja uma boa opção que traria maior impacto para mais indivíduos. A existência de espaços e ações que forneçam a oportunidade e os recursos necessários para melhora do conhecimento em relação à saúde é fundamental, em todas as faixas etárias. A população de adolescentes se torna mais vulnerável a certos agravos de saúde por essa ser uma fase de maior experimentação e exploração da autonomia, o que requer não apenas responsabilidade como também informação para que decisões sejam tomadas de forma segura e que não dificulte o crescimento e desenvolvimento saudável desse indivíduo.