Portal de Conferências da UnB, IX Mostra de Estágios da Faculdade de Ciências da Saúde

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Plano de melhoria para dispensação de medicamentos na Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 do Cruzeiro.
Bruna Martins Goulart, Juliana Maria de Albuquerque Vaz, Bárbara Manuella Cardoso Sodré Alves

Última alteração: 2019-06-11

Resumo


INTRODUÇÃO:

A partir da vivência na Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 do Cruzeiro, a dupla de estagiárias identificou duas situações recorrentes no local. Primeiro, pacientes com o direito aos medicamentos psicotrópicos fornecidos pela Secretária de Saúde tinham acesso impedido devido à inadequação da documentação apresentada. Segundo, pacientes compareciam desnecessariamente à UBS somente para informações sobre a disponibilidade de medicamentos.

OBJETIVO:

Com o intuito de solucionar estes problemas, visando garantir o acesso ao medicamento pelos pacientes e otimizar o serviço prestado por técnicos e farmacêutica da Unidade, foram elaborados um check-list para a dispensação de psicotrópicos e um QR code (Quick Response) que redireciona o paciente para o site da farmácia da UBS, onde constam informações sobre a lista de medicamentos com estoque no local, mapa para facilitar o acesso e os horários de atendimento.

METODOLOGIA:

A elaboração e implantação do check-list (1) nasceu para construir um raciocínio lógico linear, padronizado e reprodutível de verificação da documentação pela equipe, assim como para esquematizar de maneira palatável e visualmente atrativa à população os requisitos estabelecidos pela Portaria nº 344/98 (2). Já o uso do QR code (3) e do Google Sites simplifica o acesso à informação acerca da disponibilidade de medicamento e otimiza o trabalho da equipe da Unidade por meio de tecnologias gratuitas já existentes.

RESULTADOS:

Foram produzidos cinco cartazes. Quatro para o público e um para a equipe da farmácia. O primeiro pôster com o dizer “Do que preciso para pegar psicotrópicos?” indicava o check-list contido no segundo pôster, colocado ao lado. No terceiro, constavam quais medicamentos (e dosagens) são fornecidos pela Secretaria de Saúde. Por último, o quarto pôster continha o QR code e uma explicação breve do que se tratava. O quinto cartaz, igual ao segundo, foi colocado na parte interna da farmácia para auxiliar a verificação da documentação pela equipe.

DISCUSSÃO:

Por meio desse processo, as estagiárias consolidaram seus conhecimentos teóricos acerca da legislação de medicamentos de controle especial e de sua aplicabilidade na prática. Além disso, desenvolveram habilidades e competências de comunicação, essenciais para o desenvolvimento do check-list, do QR code e do Google Sites, conjugando linguagem simples e clara sem perda do rigor técnico.

Ao longo da vivência, seja na identificação dos problemas ou na tentativa de solucioná-los, vários desafios surgiram. Dentre eles, dois se destacam. Em primeiro lugar, a sensação de impotência e frustração tanto da população quanto da equipe quando o acesso ao medicamento é negado, seja por questões documentais, seja por falta do medicamento. Em segundo lugar, a predominância de idosos como população atendida na UBS. Esse perfil de paciente, além de limitar o leque de ferramentas tecnológicas que podem ser aplicadas e efetivas, torna ainda mais problemática a questão do paciente precisar de múltiplas idas à Unidade até conseguir ter acesso ao seu medicamento.

Diante desse cenário, a experiência foi bastante proveitosa por se tratar de uma ação de educação de saúde que empodera a população e coloca o paciente como agente ativo na aquisição de seu medicamento. Por outro lado, a concentração do poder de mudança no paciente torna a experiência um pouco insegura e frágil para as estagiárias, visto que o trabalho depende da participação de outras pessoas para se tornar bem-sucedido.

Nesse sentido, existem vários pontos do trabalho que podem ser futuramente melhorados para garantir que o objetivo seja atingido, por exemplo: arrecadação de recursos para distribuição de panfletos com o check-list; elaboração de workshop com os prescritores e os pacientes regulares da UBS para regularização das receitas e adesão ao check-list; explicações sobre o uso e facilidade do QR code, dentre outras.

CONCLUSÃO:

Espera-se que a intervenção seja positiva e que se reconheça que este é apenas o primeiro passo em um longo caminho a ser trilhado para a oferta de um serviço de saúde com a maior qualidade possível. Pela ausência de tempo e de instrumento para avaliação do impacto do check-list e do QR code criados na rotina da UBS não foi possível realizar estudo e afirmar o efeito positivo de tais técnicas para informar a população.

 

REFERÊNCIAS:

  1. CLAY-WILLIAMS, R.; COLLIGAN, L. Back to basics: checklists in aviation and healthcare. BMJ QualSaf. n. 24, p. 428-431, 2015.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde/SNVS. Portaria n°344 de 12 de maio de 1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 31 de dez. de 1998.
  3. PACHECO, F. B.; KLEIN, A. Z.; RIGHI, R. da R. Modelos de negócio para produtos e serviços baseados em internet das coisas: uma revisão da literatura e oportunidades de pesquisas futuras. REGE. Revista de Gestão n. 23. p.41–51. 2016.