Portal de Conferências da UnB, IX Mostra de Estágios da Faculdade de Ciências da Saúde

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AÇÃO EDUCATIVA SOBRE ACOLHIMENTO NO CONTEXTO DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL
Beatriz Regina Lima de Aguiar, Clara Abreu Ramos, Priscila Aparecida Barbosa Batista, Paulo Henrique Fernandes dos Santos

Última alteração: 2019-06-12

Resumo


INTRODUÇÃO: O acolhimento no âmbito da saúde orienta a relação de confiança e vínculo entre o profissional de saúde e o usuário, favorecendo a humanização do cuidado e a resolutividade dos problemas. No entanto, o acolhimento oferecido nos serviços de Atenção Básica muitas vezes não contempla o que é preconizado pelas políticas de saúde, principalmente durante a recepção da demanda espontânea, por um despreparo dos profissionais que o realizam. As ações educativas são ferramentas de transformação das práticas das equipes de saúde, por meio do desenvolvimento do pensamento crítico dos profissionais acerca da realidade do serviço. OBJETIVO: Relatar experiência de planejamento de uma ação educativa sobre acolhimento no contexto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), utilizando a metodologia de problematização por meio do Arco de Maguerez. MÉTODO: Trata-se da experiência de três estudantes de enfermagem da Universidade de Brasília, na UBS no 12 - Samambaia/DF, no 1o semestre de 2019. O Arco de Maguerez foi utilizado com o intuito de identificar fragilidades do serviço e intervir na realidade. A partir dos problemas levantados, foi planejada uma ação educativa, voltada para a equipe de técnicos de enfermagem, para apresentar as diretrizes do Ministério da Saúde (MS) sobre acolhimento à demanda espontânea, utilizando discussão de casos, que contemplará as principais demandas de triagem no acolhimento na Atenção Básica. RESULTADOS: Seguindo o Arco de Maguerez, (I) na etapa de observação da realidade, identificamos fragilidade na escuta qualificada e nas ações de acolhimento e triagem à demanda espontânea, que são responsabilidades dos técnicos de enfermagem nesta UBS. Os técnicos também apresentam dificuldade de determinar se o problema apresentado pelo usuário precisa de atendimento imediato ou pode ser solucionado com orientações. (II) Diante desse cenário foram levantados os seguintes pontos-chave: Qual o papel de cada profissional no contexto da UBS e nas ações de acolhimento? Quais as modelagens de acolhimento propostas pelo MS? Qual o perfil das demandas espontâneas atendidas na unidade? Como realizar uma triagem efetiva que torne as ações de acolhimento mais seguras para os profissionais que realizam classificação da demanda espontânea? (III) Baseado nisso, foi realizada a teorização da temática, buscando subsídios na literatura a respeito de como solucionar os problemas identificados. (IV)  O arcabouço teórico contribuiu para elaboração de hipóteses de solução para o problema. (V) Logo, planejamos uma atividade educativa com a equipe de técnicos de enfermagem da UBS, onde apresentaremos os princípios do acolhimento e como ele deve ser feito, baseado nas diretrizes do MS e da Política de Atenção Primária à Saúde. Discutiremos casos de atendimentos às principais queixas na Atenção Primária, instigando o pensamento crítico-reflexivo e apresentando propostas de mediação dessas demandas segundo Caderno de Atenção Básica no 28. A Gerência da UBS consentiu com a aplicação desta intervenção. Ressalta-se que a atividade ainda não foi implementada por conta da limitação de espaço físico da UBS durante a campanha de vacinação, porém será realizada entre os dias 3-7 de junho. DISCUSSÃO: A partir da observação de como o acolhimento é feito nesta UBS, compreendemos que as dificuldades da prática vêm de uma falha no conhecimento do que significa acolher o usuário. Além disso, os profissionais técnicos de enfermagem que assumem o acolhimento ainda não têm segurança de orientar o paciente quanto às demandas que ele apresenta e não entendem que tem competência para executar esse tipo de ação. Isso prejudica o processo de trabalho das equipes ao qual fazem parte, por que sobrecarrega de atendimentos todo o restante da equipe que atende agenda e demanda espontânea simultaneamente. Para melhorar a organização do processo de trabalho e permitir que os profissionais reconheçam suas competências individuais no acolhimento, a oficina de capacitação com os profissionais de saúde permitirá a reflexão dos desafios e dificuldades para lidar na condução das demandas espontâneas que aparecem na UBS e oferecerá condições de aprendizado para tomada de decisão correta e segura. CONCLUSÃO: A experiência de planejamento da ação educativa permitiu a observação e análise crítica do processo de trabalho dentro da UBS, e a importância dos profissionais reconhecerem seu papel e realizar escuta qualificada nas ações de acolhimento. O Arco de Maguerez mostrou-se efetivo para conduzir esse tipo de análise e planejar intervenções que auxiliam na mudança da realidade do serviço. A limitação de espaço físico na UBS foi um desafio para implementação da intervenção, porém foi acordado com a gerência o melhor momento para realizar a atividade. Esse contato direto com a gerência da UBS permitiu a construção da intervenção e favoreceu a identificação de pontos prioritários a serem abordados. Para que haja uma melhor organização do processo de trabalho dessa UBS, iniciativas como essa podem ser oferecidas para todas as classes de profissionais, buscando ressaltar suas competências e atribuições na realidade do serviço.