Portal de Conferências da UnB, VII Mostra de Estágios da Faculdade de Ciências da Saúde

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Estágio Interprofissional junto à professores do Paranoá: duas vias de aprendizado para a Prevenção das Violências e Promoção da Saúde
Gabriela Fogaça Alves Pinheiro, Sandra Carvalho Cavalcante Freitas, Bruna Paes de Oliveira, Andreia Lohane Resende Simplicio, Kahena Quintaneiro Bizzoto, Maria Juliana Rocha Reis, Sara da Silva Meneses, Andréa Leite Ribeiro, Giovanna Guarese Borges Gonçalves, Vitor Gripp Oliveira, Amanda Evelyn Pereira Souza, Cecilia Silva Almeida, Isabella Telles Kahn Stephan, Ana Carolina dos Santos Fonseca Boquadi, Carla Targino Bruno dos Santos, Dais Gonçalves Rocha, Sheila Giardini Murta

Última alteração: 2018-06-25

Resumo


Este relato compõe uma experiência de estágio interprofissional (PET) que promove a integração do setor da educação com o setor da saúde, a partir de ações na Região Leste de Saúde. O projeto faz parte da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (FS/UnB), Rede de Atenção às Violências (RAV-SUS), o Programa de Pesquisa, Assistência e Vigilância à Violência (PAV) e o Centro Educacional Darcy Ribeiro do Paranoá (CED Darcy Ribeiro) onde se tem a oportunidade de trabalhar com a sensibilização dos professores acerca de demandas relacionadas à violência trazidas por eles mesmos.

O Estágio tem como um de seus objetivos proporcionar a integração interprofissional, promovendo diálogo entre estudantes dos cursos de Saúde Coletiva, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Enfermagem e Psicologia que compõem o projeto. Por meio da parceria ensino-serviço-comunidade, são desenvolvidas habilidades interprofissionais enquanto se promove a Cultura de Paz e Prevenção às Violências no ambiente escolar através de ações de educação permanente e promoção da saúde.

Para isso, são utilizadas as metodologias do Arco de Maguerez e a Educação Entre Pares como fundamentação para construção e realização das oficinas, tanto com alunos como professores, visando a contribuição para a formação de jovens protagonistas empoderados, que futuramente podem vir a ser facilitadores e promotores de educação entre pares. A partir disso, são realizados encontros mensais com os professores para a realização de oficinas acerca do que foi identificado como demanda, observado a partir da reunião anterior à realização da oficina.

A metodologia do Arco de Maguerez, consiste em um método que promove a compreensão da autonomia e emancipação dos sujeitos como subsídio da formação de agentes transformadores de cultura. Possui como etapas: 1) Observação da realidade; 2) Pontos chave; 3) Teorização; 4) Hipóteses de solução e 5) Aplicação à Realidade, que são as etapas que o grupo utiliza no momento da criação das atividade que vai ser realizada com os professores. A partir dos resultados obtidos, tem-se o reinício do ciclo, com a observação da realidade, que são as demandas cedidas pelos próprios professores que participam das oficinas.

É importante ressaltar que ambos os métodos de intervenção possuem gestão participativa e ativa de todos os atores envolvidos na construção e solução das demandas ofertadas. Assim, as intervenções ocorrem por meio de oficinas que são elaboradas em duplas, com participação e intervenção dos demais estagiários, professoras e preceptoras. A realidade é observada durante os encontros com os professores, a partir daí, a dupla responsável por realizar as  atividades do próximo encontro, começa a fase de da atividade, propondo um tema e levando um esboço que é discutido pelos demais integrantes do projeto em uma das reuniões, que acontecem duas vezes na semana.

Foram realizadas três oficinas com os professores, sendo que a primeira consistiu em uma breve apresentação sobre as metodologias utilizadas pelo projeto, e a utilização de um pequeno questionário para avaliação do conhecimento do tema por parte dos professores, contendo também uma situação problema construída de acordo com a realidade observada na escola, onde os professores tinham que identificar e elaborar soluções para um problema de inclusão social e preconceito. Já a segunda oficina, teve como objetivo trabalhar por meio de uma dinâmica, a importância e impacto benéfico que as estratégias do projeto têm o intuito de levar para a escola, reforçando também a ideia de uma construção mútua entre professores, escolares e integrantes do projeto. Logo após essa dinâmica, foi realizada uma outra atividade com objetivo dar início ao enfrentamento não violento da indisciplina na sala de aula, onde obteve-se uma boa participação dos professores, relatando muita satisfação com a realização da atividade. Conforme as demandas, a terceira oficina foi sobre Comunicação Não Violenta, realizada pela psicóloga Raquel Turci Pedroso.

Foi possível observar que as atividades realizadas com os professores têm proporcionado uma boa discussão sobre as demandas levantadas por eles, influenciando no desenvolvimento de uma reflexão crítica acerca do comportamento dos alunos e, principalmente, do seu comportamento perante aos escolares, na busca de semear uma cultura de paz. Grande parte dos professores que atuam em sala de aula com os estagiários oferecem limitações para a realização das ações, tendo em vista que o sucateamento e o desgaste da rotina tem afetado a saúde mental destes profissionais.

O processo de ensino-aprendizagem dos estagiários proporciona troca de conhecimentos entre as experiências das oficinas com os professores, podendo perceber as potencialidades e fragilidades da escola e expõe o desafio de se atuar com a intersetorialidade e a necessidade da interprofissionalidade.